No início, as pessoas se assustavam com o nome do tratamento, mas logo o microagulhamento tornou-se um dos mais populares procedimentos estéticos para restauração da pele facial. Esta técnica, também conhecida como ‘terapia de indução de colágeno’, tem um alto nível de comprovação para melhorar a aparência de linhas finas, cicatrizes de acne e a aparência geral da pele.

Diversos estudos demonstram a melhora da pele dos pacientes tratados, com cerca de 60 a 80% de aumento dos níveis de colágeno e elastina, bem como 40% da espessura da camada espinhosa da pele, ou estrato celular espinhoso. Com estes resultados, o microagulhamento passou a ser um divisor de águas para os pacientes.

Ainda que a indicação não seja para todo tipo e/ou problema de pele, para aqueles que se enquadram no protocolo terapêutico e que passam pelos cuidados específicos antes, durante e depois do tratamento, os resultados são excelentes.

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As raízes do microagulhamento

Técnicas de regeneração da pele facial existem desde o Egito antigo². Ainda que os egípcios usassem produtos muito menos avançados do que aqueles que usamos hoje, historiadores dizem que ácidos, lixas e outros produtos feitos com minerais e plantas foram utilizados para descamar as camadas superficiais da pele.

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Algumas das primeiras formas de abrasão controlada da pele apareceram no início dos anos 1900, quando um dermatologista alemão usou um sistema de rodinhas ásperas para tratar cicatrizes de acne, queratoses e hiperpigmentação.

Os procedimentos abrasivos para renovação celular da pele não se tornaram populares até a metade do século, quando numerosos artigos de pesquisa sobre a eficácia das técnicas de dermoabrasão começaram a aparecer. A validação científica ajudou a tornar a regeneração da superfície da pele uma prática comum no mundo médico.

Em 1995, uma forma de microagulhamento, chamada subcisão, foi introduzida. Usou-se uma agulha hipodérmica tri-chanfrada para atingir o tecido sob cicatrizes deprimidas, rugas ou contornos, criando um trauma controlado na pele, que então iniciava seu processo de auto-cura². A partir desta técnica inovadora, outras surgiram, cujo desenvolvimento tecnológico ao longo do tempo redundou no sofisticado processo de microagulhamento que temos hoje.

O que é exatamente o Microagulhamento?

O processo de microagulhamento envolve a utilização de agulhas finíssimas para criar micro-perfurações na epiderme. Esta estimulação é bastante precisa ao fazer mínimas perfurações pele que, no seu processo de auto-reparação estimula a produção de colágeno e elastina. Tecidos novos e saudáveis aparecem nas áreas afetadas pelo microagulhamento – a pele se rejuvenesce.

Outro fantástico benefício do microagulhamento está na habilidade de permitir que outros ingredientes que nutrem e estimulam a produção de colágeno sejam mais eficientemente penetrados na pele e, assim, afetar as células em níveis mais profundos. Estas propriedades fazem do microagulhamento um excelente tratamento para peles envelhecidas e hiperpigmentadas.

Alguns profissionais aplicam o microagulhamento um pouco além das camadas superficiais da pele, mas esse aprofundamento é considerado fora do protocolo de tratamento para objetivos estéticos. Embora o microagulhamento mais profundo possa ajudar a remodelar o tecido para tratar as marcas de acne, cicatrizes subcutâneas podem ser causadas por conta da pressão, o que seria similar a queimaduras de terceiro grau. Portanto é importante que o procedimento seja realizado por médico dermatologista e experiente com a técnica.

Outra aplicação para o microagulhamento que dá ótimos resultados é com o tratamento de melasma, uma vez que o aquecimento (com procedimentos de laser) agrava a condição.

O tratamento

A técnica de microagulhamento está se tornando mais popular entre os pacientes que procuram alternativas com melhor custo-benefício e que exigem menor tempo de recuperação. No entanto, como em qualquer procedimento de regeneração da pele, é preciso estar bem informado/a e tomar as devidas precauções antes do tratamento.

Com o microagulhamento, o objetivo é fazer ferimentos controlados. Importante não ferir demasiadamente a pele, ao ponto de sangrar – a estimulação é feita a nível superficial. A função de barreira da pele deve ser mantida intacta para promover os melhores níveis de cura do problema a ser tratado. Importante também é que o microagulhamento, por ser um procedimento com certa agressividade, não seja combinado com outros tratamentos. Pode-se tratar regiões específicas da pele ou toda a face.

A consulta

Faz parte do plano de tratamento que o médico esclareça como funciona o microagulhamento e quais são as expectativas, além do que é preciso fazer antes e depois do procedimento. Como regra geral, é preciso não depilar o local de aplicação do microagulhamento por pelo menos duas semanas antes e depois da sessão.

Resultados positivos podem ser observados já no primeiro procedimento. Os retornos serão agendados entre quatro a seis semanas, dependendo do objetivo a ser alcançado e da reação individual.

Importante alertar sobre a importância de fazer o procedimento em uma clínica dermatológica e não cair no canto da sereia de anúncios que prometem maravilhas. Como já foi dito acima, o microagulhamento requer conhecimento médico para ser realizado apropriadamente.

Tanto o microagulhamento quanto outros procedimentos de regeneração da pele precisam de indicação cautelosa para mulheres grávidas ou lactantes. O mesmo para quem tiver lesões ativas de acne, câncer de pele ou outras sérias condições de saúde.

Intensificando os efeitos

O microagulhamento é excelente para permitir a melhor penetração de ingredientes que vão ajudar na restauração dos tecidos, como ácido hialurônico, vitamina E, fatores de crescimento epidérmico, antioxidantes e peptídeos. Estes nutrientes, aplicados antes do procedimento, vão ajudar na hidratação e trabalhar para fortalecer, reconstruir e curar a pele. Os resultados são excelentes.

Depois do tratamento, aplica-se máscaras com nutrientes proteicos e vegetais para alimentar e aliviar a pele, além de outros produtos. Os efeitos do microagulhamento também podem ser potencializados em casa. O médico dermatologista indicará cremes e loções à base de enzimas e ácidos suaves que também atuam para nutrir a pele.

Em seguida ao procedimento, o paciente pode experimentar alguma vermelhidão e um pouco de inchaço, que normalmente se dissipam em poucas horas. A pele poderá ficar suavemente rosada até 48 horas depois do procedimento, mas estes resultados inflamatórios são respostas normais da pele e fazem parte do processo de auto reparação.

De acordo com a resposta individual dos pacientes, o dermatologista pode indicar cremes apropriados para conter o processo inflamatório e filtros solares apropriados para proteção adequada da pele.

 

REFERÊNCIAS

  1. MC Aust, D Fernandes, P Kolokythas, et. al. Percutaneous collagen induction therapy: an alternative treatment for scars, wrinkles, and skin laxity,Plast Reconstr Surg 121 4 1421–9 (2008)
  2. microneedle.com/main/history.html

– Veja mais: http://www.skininc.com/treatments/medicalesthetics/Microneedling-in-the-Esthetic-Practice-299358731.html#sthash.IsObyfjK.dpuf