Beleza étnica: mitos e verdades

Nessa quarta-feira a Dra. Luciana Maluf assina uma coluna sobre beleza étnica na revista Caras! O assunto, por sinal, costuma gerar muitas dúvidas, por isso listamos abaixo os mitos e verdades das peles negras e étnicas com a Dra. Luciana, especialista em peles étnicas e pupila do Dr. Eliot Battle, dermatologista americano que é referência no assunto.

Para saber mais sobre peles étnicas, baixe o e-book “A Beleza da Pele Oriental” e “A Beleza da Pele Negra”, escritos pela Dra. Luciana Maluf.

Confira!

Etnia. As diferenças dermatológicas de cada grupo étnico requerem tratamento individualizado.

Verdade: O número de melanócitos é praticamente o mesmo em toda a espécie humana, o que varia é a produção de melanina e sua distribuição nas diferentes camadas da pele. Isso determina a tonalidade da pele de cada um e é um dos fatores de classificação de cada grupo étnico.

 

Nos tratamentos a laser a cor da pele não deve influenciar os parâmetros médicos.

Mito: Com certeza deve influenciar e os parâmetros variam bastante. Peles mais morenas tendem a receber menos energia dos lasers por serem mais sensíveis às manchas. Portanto, aumenta-se o número de sessões.

 

São vários os desafios nos tratamentos de peles étnicas.

Verdade: Os grupos étnicos respondem diferentemente aos tratamentos. No geral, as peles negras precisam de mais sessões de laser por receber menos energia deste em cada sessão e os brancos o contrário: pode-se aumentar os parâmetros do laser e conseguir um resultado satisfatório com menor número de sessões. O amarelo (asiático) é intermediário. Não é recomendado usar luz intensa pulsada na pele negra pois não é um único comprimento de onda igual ao laser e, portanto a chance de queimá-lo é alta. No amarelo, pode-se usar, mas com cautela. E no branco, usa-se bastante, com energias até altas e para várias finalidades, como remoção de pêlos, manchas, vasos e estímulo de colágeno.

 

Depois do exame clínico, o dermatologista deve indicar apenas um tratamento estético para atingir resultados satisfatórios.

Mito: A indicação adequada de um tratamento pode requerer técnicas combinadas numa mesma sessão, para melhores e mais rápidos resultados.  E há tratamento para todos os tipos de pele e todas as idades. Por isso um bom exame clínico dermatológico e uma boa conversa prévia com o paciente são extremamente importantes para adequar o tratamento às expectativas esperadas.

 

São vários os resultados positivos no tratamento de peles étnicas.

Verdade: Com certeza, desde que a indicação e a técnica dos procedimentos realizados estejam adequados de acordo para cada caso.

 

A produção de colágeno não é o objetivo da maioria dos procedimentos dermatológicos.

Mito: No geral, a maioria dos pacientes de pele clara ou branca procura o dermatologista por causa de rugas, flacidez e foto envelhecimento. Já o negro e aqueles com peles étnicas procuram por causa de manchas pós-inflamatórias como acne, melasma, queloides e cicatrizes.

 

O médico dermatologista não precisa levar em conta o tom da pele para avaliar o paciente.

Mito: é de extrema importância olha a tonalidade de pele do paciente, principalmente se ele for optar por tratamentos a laser ou luz intensa pulsada.

 

Retirada de manchas e pelos em peles negras requer técnica apuradíssima.

Verdade: geralmente a energia do laser é menor no negro e também varia nas diferentes regiões do corpo. Posso aumentar a energia levemente na face, onde a recuperação da pele é mais rápida e preciso diminuir nas pernas, por exemplo. Também são importantes os outros parâmetros como o tempo de duração de pulso de cada disparo do laser, o tipo de comprimento de onda que estou utilizando e se o aparelho me fornece resfriamento ou não.

 

A pele reage igualmente a fatores externos como os raios ultravioleta, independente do grupo étnico.

 Mito. A pele negra é mais protegida por apresentar mais melanina que a pele branca.

 

Com a abordagem terapêutica correta, há solução para os problemas peculiares de cada pele, da negra à branca.

Verdade: com certeza. Porém muitas vezes há necessidade de maior número de sessões, dependendo do tratamento estipulado e das condições da pele naquele momento. No caso de uma pele bronzeada (um paciente que acabou de voltar das férias na praia) – seja ele moreno ou branco – há necessidade de esperar o bronzeado desaparecer para começar um tratamento com luzes (laser ou luz intensa pulsada), pois a melanina está bastante exposta e “reativa” e, portanto as chances de queimaduras e outros efeitos colaterais são maiores.

 

 Estresse não influencia no tratamento das peles étnicas.

Mito: Influencia sim. O stress libera, entre outras coisas, a adrenalina e deixa todo o organismo em estado de alerta, provocando contração periférica dos vasos, aumento na secreção de muco e suor, taquicardia, entre outros sinais. Isso tira o paciente do seu estado de repouso natural alterando todo o funcionamento do organismo podendo provocar uma resposta diferente à esperada.

 

A pele negra está mais protegida de danos causados pela exposição solar do que outras peles étnicas.

Verdade: Ninguém deve ficar sem proteção solar, mesmo que seja com FPS diferentes, mas mais importante do que aplicar um filtro solar com FPS alto é aplicá-lo varias vezes ao dia, a cada 2h se for ao sol, pois a frequência de aplicação protege mais do que a numeração do FPS. Os negros expressam mais melanina no verão que os brancos e ficam mais protegidos. Mas isso não quer dizer que eles estão isentos de aplicarem protetores solares! Os raios solares causam outros tipos de danos no DN das células, morte celulares e imunossupressão.

 

As maiores queixas de pacientes com peles negras são danos solares e perda de colágeno:

Mito: essas são as maiores queixas dos indivíduos de pele clara. As queixas mais frequentes dos negros são manchas tipo melasma, hiperpigmentação pós inflamação (como acne) e excesso de pelos. Os queloides também são queixas comuns.

 

Aparelhos de radiofrequência não são capazes de tratar a flacidez e nem diminuir medidas.

Mito: Ela é capaz sim de estimular por aquecimento da região tratada o colágeno e melhorar o aspecto e textura da pele. Porém, ela por si só, não diminui medidas. Há necessidade de agregar uma dieta equilibrada e nutritiva e exercícios físicos.

 

As maiores queixas de pacientes com das peles brancas são inflamação por acne e melasma.

Mito: São flacidez, rugas e fotoenvelhecimento solar.

 

O microagulhamento é uma técnica minimamente invasiva e garante à pele brilho e textura.

Verdade: Ele causa um processo inflamatório o próprio sangramento que acontece tem fatores de crescimento e estimuladores de colágeno, nutrindo a pele, melhorando as rugas, dando brilho e vida.

 

Os avanços nas tecnologias de tratamento dos problemas étnico-estéticos permitem-nos dizer que há soluções com resultados positivos para todos os problemas de pele.

Verdade: Desde que o procedimento seja bem indicado e realizado por profissional qualificado e com experiência prática, as peles étnicas tem todo um arsenal de tratamentos disponíveis para resolver qualquer questão.

 

A mesoterapia é um tratamento antigo e ultrapassado.

Mito: A mesoterapia, que é a injeção de princípios ativos na pele (derme), é um procedimento usado até hoje; seja para queima de gordura localizada, seja para melhorar a queda de cabelo, etc.

 

O estimulo à produção de colágeno para tratamento de rugas e flacidez facial nas peles asiáticas, hispânicas ou negras ainda não é uma vitória terapêutica a ser celebrada nos consultórios da dermatologia cosmética.

Mito: Já pode ser sim, apesar de requerer mais de uma sessão e adequar os parâmetros ideais para cada tipo de pele, caso seja usado laser.

 

O tratamento a laser não é igual para todos. A indicação dependerá do diagnóstico e da técnica utilizada, como a combinação de laser e outros procedimentos, sua frequência e intensidade.

 Verdade: Em teoria, no geral, a regra é: quanto mais moreno, menores são os parâmetros dos lasers e maior a quantidade de sessões para atingir o resultado satisfatório. No branco, com poucas sessões e parâmetros mais elevados, já se pode conseguir o resultado desejado. Por terem muitas variáveis as peles étnicas têm que ser analisadas uma a uma.